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Apneia é uma das principais causas de problema com o sono em todo o mundo

Atualizado: 22 de mar.

Além do distúrbio, são inimigos do descanso a rotina da vida moderna, os estímulos diversos, principalmente as telas, e até as preocupações em relação ao coronavírus


Último monarca do então Império do Brasil, dom Pedro II foi, ao longo de boa parte de seus 58 anos de reinado, alvo de zombaria no meio político e de enfáticas sátiras reproduzidas na imprensa por conta do que parecia ser uma extrema facilidade de pegar no sono. Aparentemente, pouco importava se estava em um local público ou se o momento era inapropriado para uma soneca: ele simplesmente adormecia. Hoje, contudo, estudiosos indicam que, ao contrário do que se pensava na época, a excessiva sonolência diurna do imperador poderia não estar relacionada a um “desinteresse”, mas sim à má qualidade do repouso noturno.

Acredita-se que dom Pedro II sofresse com a síndrome de apneia do sono do tipo obstrutivo, ainda atualmente uma das principais causas de problemas com o sono em todo o mundo. Nesse caso, durante as crises, a pessoa, que normalmente ronca ao dormir, sofre com um bloqueio da passagem de ar pela faringe, o que causa uma parada respiratória. Reagindo ao fenômeno, o sujeito desperta várias vezes durante a noite. Um problema crônico e comum, estima-se que, no Brasil, até 35% da população sofra com a apneia. E, agora, com a pandemia do coronavírus, alguns países, como a Islândia, passaram a considerar esse distúrbio do sono um fator que leva à necessidade de internação de pacientes com a Covid-19 em Centros de Terapia Intensiva (CTIs). Para o psiquiatra Dirceu de Campos Valladares Neto, a decisão é mais um exemplo do reconhecimento de como a qualidade do descanso é primordial para a saúde.

Mas, não bastasse a já flagrante tendência contemporânea de se dormir cada vez menos, a atual emergência de saúde parece piorar ainda mais esse quadro e tirar o sono de muita gente. No Brasil, 44% acreditam que o descanso noturno está comprometido por causa de preocupações diretamente relacionadas ao coronavírus, conforme um levantamento realizado pela empresa de inovação corporativa The Bakery. E essa piora da qualidade do repouso é especialmente preocupante para um país que já figura entre os mais insones do mundo. Ocorre que, segundo estudo da Universidade de Michigan, os brasileiros costumam ir para a cama às 23h40 e permanecem nela por sete horas e 36 minutos. Entre as nações avaliadas, só no Japão e em Singapura se dorme menos do que aqui.







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